Reação Esportes | Da série: Terceira Idade e as Doenças Cardíacas
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Da série: Terceira Idade e as Doenças Cardíacas

Da série: Terceira Idade e as Doenças Cardíacas

O segundo assunto da série do nosso blog sobre as doenças relacionadas ao coração na terceira idade é a hipertensão arterial ou pressão alta – um dos problemas de saúde mais comuns do século 21, de acordo com o educador físico da equipe da Reação, Robson Cabral. Mas, antes de falarmos sobre a enfermidade, é preciso explicar sobre o que é, de fato, a pressão arterial.

Segundo a explicação de Cabral, a pressão arterial se refere a uma força necessária – gerada pelos batimentos do coração – que o sangue exerce contra as paredes das artérias para que ele possa circular por todo o corpo. É de conhecimento de todos que para medir essa pressão, emprega-se a unidade mmHg para indicar quantos milímetros o mercúrio sobe no medidor do aparelho usado onde costumamos verifica-la.

Quanto mais sangue for bombeado do coração por minuto, maior será o valor – que tem dois números: um máximo – ou sistólico; e um mínimo – ou diastólico. O primeiro se refere à força de bombeamento do coração e o segundo à pressão dos vasos sanguíneos.

A pressão arterial não é fixa e pode variar dependendo do estado da pessoa no momento – se está em repouso, em atividade, estressada ou até mesmo falando alto. O valor é considerado normal quando o máximo atinge até 120 mmHg ou, popularmente, 12, e o mínimo fica na faixa de 80 mmHg. É a tão almejada pressão 12/8.

Acima de 13,5 os valores são considerados altos e o diagnóstico pode ser a hipertensão arterial. A enfermidade é a mais ‘democrática’ das doenças crônicas, já que atinge pessoas de qualquer faixa etária ou classe social, ambos os sexos e todas as etnias. E é traiçoeira, porque raramente apresenta sintomas.

Ao ser detectada – numa consulta de rotina, por exemplo – pode já ter causado danos em seus ‘órgãos-alvo’ como coração e rins. “No entanto, não há dúvida de que a incidência da hipertensão aumenta com o envelhecimento. Cerca de 50% dos homens e mulheres acima dos 50 anos têm pressão alta. Aos 60 anos, a taxa sobe para 60%. E, dali por diante, não para de crescer”, alerta Cabral.

Cabral comenta que alguns especialistas chegam a dizer que, depois de certa idade, é quase normal ter pressão alta. Há pouco, uma grande revisão de pesquisas feita por renomados cientistas indicados pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos chegou à conclusão de que os valores da pressão arterial para pessoas com mais de 60 anos podem ser um pouco maiores que os considerados normais: 15/9.

“Mas isso, obviamente, não justifica o descuido com os níveis da pressão arterial”, afirma o educador. Desta maneira, os próprios idosos ou os seus cuidadores devem estar particularmente atentos aos possíveis sinais que podem surgir. Existem alguns fatores de risco que causam a hipertensão arterial como excesso de peso; consumo excessivo de sal e de álcool; sedentarismo e falta de exercício físico; má alimentação, tabagismo e estresse.

Por ser um tema de bastante interesse, já que acomete um número significativo de pessoas, o educador da Reação preparou uma lista com as respostas das principais perguntas que chegam até a nossa equipe. São elas:

Pergunta: Por que a pressão arterial sobe com a idade?

Resposta: De uma forma simples para o entendimento, podemos estabelecer uma analogia entre o corpo humano e o sistema hidráulico. Os canos seriam os vasos sanguíneos; os rins, “o ladrão” por onde sairia o excesso de líquido; o coração, a bomba que faria circular esse líquido; e o cérebro, o computador que regeria todas essas funções. Da mesma forma que, com o passar os anos, resíduos aderem aos canos, ocorre depósito de cálcio nos vasos sanguíneos, o que vai enrijecendo e tornando mais estreitos, o que obrigatoriamente aumenta a pressão do sangue no seu interior. Pressão arterial elevada prejudica não só os rins, mas o coração e, principalmente, o cérebro.

Pergunta: A pressão arterial sempre sobe com a idade?

Resposta: A incidência de hipertensão está nitidamente relacionada com a idade. Aos 20 anos, 20% dos indivíduos têm pressão alta. Aos 80 anos, 80% têm hipertensão. As manifestações genéticas são mais frequentes na população mais jovem. A partir do momento em que a subida de pressão é induzida pelo depósito de cálcio responsável pela resistência dos vasos à circulação, o componente genético é menor.

Pergunta: Quais outras causas explicam a hipertensão nos idosos?

Resposta: Especialmente nos estados pré-diabéticos (100 a 125 de glicemia), os idosos podem ter uma descarga maior da insulina que o próprio organismo produz. Essa hiperinsulinêmica libera substâncias que agem no cérebro e aumentam a absorção de sal pelos rins, o que acaba produzindo hipertensão. Lesões no endotélio (a camada interna que reveste os vasos) provocadas por diabetes, além de menopausa e alcoolismo, também predispõem à hipertensão e são prevalentes na população mais idosa. A hipertensão é apelidada de “assassina silenciosa”, porque pode provocar consequências graves antes de produzir sintomas. Ao contrário do que se pode pensar, não dá dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido ou sangramento nasal. A grande maioria dos idosos não apresenta sintoma nenhum e vai ao médico para uma consulta de rotina ou por outro tipo de queixa. Aí, quando é medida a pressão, se descobre que ela está muito alta, 21/14, 20/12. Esses valores têm de ser revertidos para os padrões normais a fim de evitar complicações graves. No entanto, isso tem de ser feito aos poucos, principalmente nos idosos.

Pergunta: Esse pico de pressão pode ser repentino?

Resposta: É muito raro um idoso com pressão normal apresentar hipertensão de uma hora para outra. Em geral, a pressão começa a aumentar bem lentamente, aos 50 anos, e o problema só é diagnosticado bem mais tarde. Os sintomas não apareceram porque, de certa forma, o organismo foi-se acostumando à elevação. Reverter o quadro abruptamente provoca sintomas deletérios como tontura, sonolência e fraqueza, que induzirão a pessoa, muitas vezes, a interromper o tratamento. Por isso, as doses de anti-hipertensivos são ajustadas devagar. O controle da hipertensão arterial reduz muito os casos de derrame cerebral e, em geral, o tratamento requer a utilização de medicamentos.

Pergunta: Se a pressão estiver apenas pouco acima do normal, o indivíduo pode ser tratado apenas com mudanças de estilo de vida?

Resposta: Emagrecer cinco quilos faz baixar 5mm na pressão. Se era 16, cai para 15,5. Parece pouco? Não é, porque vamos somando conquistas. A prática de atividade física ajuda a reduzir mais um ponto. Diminuir a ingestão de sal, mais um ponto. Portanto, algumas mudanças nos hábitos de vida ajudam a baixar a pressão arterial.

PREVENÇÃO

Como já explicado no nosso primeiro texto por aqui, o objetivo da Reação com os temas propostos neste espaço virtual é o de alertar sobre a prevenção destas doenças cardíacas. Desta forma, se a pessoa optar por mudar os hábitos de vida para controlar – ou até mesmo baixar sua pressão – é indicado que ela faça em conjunto com o médico de sua confiança e um bom profissional de educação física e nutricionista.

“É muito difícil mudar os hábitos de vida. Conseguir que o indivíduo pare de fumar, diminua a ingestão de bebidas alcoólicas e de sal e pratique atividade física aos 60 anos pressupõe uma luta heroica, mas da qual jamais se deve desistir”, incentiva Cabral. Como educador físico e adepto de uma vida com mais qualidade, ele afirma que o tratamento sem medicamentos e que exija mudança de hábitos de vida pode ser indicado, com ótimos resultados, para pessoas de qualquer faixa de idade.

Invista em atitudes saudáveis e bons hábitos. Tente:

– Seguir uma dieta equilibrada com alimentos saudáveis como frutas, vegetais e laticínios magros;

– Diminuir a ingestão de sal na alimentação;

– Perder o excesso de peso e mantê-lo de acordo com a altura;

– Ser fisicamente ativo: caminhar, dançar, nadar, praticar hidroginástica, Yoga, Pilates, entre outras atividades que considerar prazerosas;

– Não fumar;

– Limitar a ingestão de álcool;

CONTROLE

É válido informar que se a pressão arterial não estiver controlada, o médico de confiança deve ser consultado a cada mês para avaliação. “Se estiver controlada, as consultas podem ser espaçadas, mas deve fazer o novo controle a cada seis meses, no máximo”, indica o educador. Ainda de acordo com Cabral, o médico deve ser avisado sempre sobre o uso de anti-inflamatórios e de descongestionantes nasais, porque esses remédios podem interferir nos níveis da pressão arterial.

Quando a hipertensão arterial não é tratada, ela pode causar o alargamento do coração. Isso pode conduzir a uma insuficiência cardíaca. A falta de controle da pressão também forma pequenos aneurismas nos vasos sanguíneos. As localizações mais comuns são na principal artéria do coração (a aorta), nas artérias do cérebro e na artéria que conduz ao baço.

Nos rins, o estreitamento dos vasos sanguíneos pode provocar uma insuficiência renal. A hipertensão arterial também pode causar o endurecimento das artérias do coração, cérebro, rins e pernas. Esta situação pode provocar ataque cardíaco, derrame cerebral e até mesmo amputação de parte da perna.